Empréstimos Pessoais: Hoje x Amanhã

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Que as fintechs são o negócio do momento (quase) todo mundo já sabe. Estamos diante de uma onda tecnológica que promete revolucionar a forma como nos relacionamos com o dinheiro. O salto de eficiência dos serviços financeiros injetará bilhões de dólares na economia mundial pela simples redução de atritos no mercado. Isso não só cortará custos dos bancos, mas impulsionará o desenvolvimento econômico das sociedades como um todo, tendo grande poder de reduzir a pobreza e impulsionar boas ideias de negócios em todas as camadas sociais.

O cenário macro, como descrito acima, é quase coisa de filme futurista. Cena dos Jetsons. Mas olhemos o cenário micro: o que realmente muda na vida do consumidor? O que as fintechs estão inventando tanto assim?

Em geral, o foco dessas novas empresas não está no o que, mas no como fazer. Palavras como investimentos, seguros, pagamentos, moedas e empréstimos não vão sumir do dicionário. A inspiração desse novo empreendedor é a busca pela eficiência: fazer mais e melhor gastando menos. Menos dinheiro. Menos tempo. Menos da sua paciência.

E se existe uma situação em que não há tempo a perder – e nem paciência de sobra – é quando você precisa de um empréstimo pessoal. Um olhar mais atento ao mundo dos empréstimos nos permite traçar um exercício de imaginação sobre o setor: o que deve mudar, na prática, no seu cotidiano daqui pra frente?

Análise de Risco de Crédito

Por meio da análise de risco de crédito, os bancos tentam prever se você é um bom ou mal pagador em potencial. Se identificarem que você é bom, o crédito para você será mais fácil e mais barato. Se mal, a sua missão de pegar um empréstimo será mais difícil.

Atualmente, a análise se baseia em informações de bureaus de crédito (como SPC e SERASA), consulta a cheques sem fundo, receita federal, comprovante de renda… Essas variáveis dizem muito sobre o passado, na tentativa de prever um futuro default.

Mas e se fosse possível analisar mais a fundo o seu comportamento? Fintechs especializadas em análise de crédito como Lenddo e InVenture apostam na análise de redes sociais ou em dados de dispositivos móveis para traçar um perfil psicológico mais certeiro sobre o consumidor.

Dessa forma, Uma maior quantidade de bons credores tende a ser aceita, enquanto as perdas decorrentes dos maus pagadores diminuem.

No limite, as taxas de juros melhor ajustadas a cada tipo de credor tendem a baratear a taxa de juros média. A conversa com o gerente passa a ser desnecessária diante do uso do Big Data aplicado ao consumidor. Além disso, pessoas excluídas do sistema bancário tradicional – como pequenos empreendedores informais – poderão conseguir crédito que antes não conseguiriam.

Prevenção a Fraudes

Atualmente, você deve ir até uma agência e levar RG, CPF, comprovante de residência, de modo que seus dados sejam checados e conclua-se que você é você mesmo, e não um farsante.

E como fazer quando um empréstimo é feito online? Ninguém te vê, é apenas você e a máquina.

Novamente as redes sociais, contas de e-mail, dados de telefone, endereço e uso de crédito disponíveis em bancos públicos podem ser usados para checar a autenticidade da sua existência. A inconsistência no cruzamento desses dados pode acender a luz vermelha dos bancos no intuito de evitar fraudadores.

Cadastro

Nos bancos tradicionais, nada mais enfadonho do que a assinatura de papelada e a exigência de documentos. Ainda pior são as filas e atendimentos nas agências.

Com o advento das Fintechs, soluções de cadastro online via smartphone já estão se tornando a nova regra. Empresas como Nubank e o Banco Original já conseguem capturar identidade, comprovante de residência e assinatura pelo seu smartphone. A abertura de contas sem precisar pisar numa agência é a tendência que certamente será seguida pelos grandes bancos.

Pesquisa de preços

Tradicionalmente, a pesquisa de preços fica restrita a quanto tempo você pode perder passando em diferentes bancos, pegando filas e conversando com gerentes (que nem sempre te indicam os produtos de crédito mais adequados às suas necessidades, já que suas metas podem ser conflitantes com o interesse do consumidor). Assim, em função de seus oligopólios locais, os bancos comerciais com muitas agências acabam conseguindo aplicar maiores taxas de juros.

Algumas fintechs, porém, já se especializam na simulação e comparação de empréstimo pessoal. Não necessariamente realizam empréstimos, mas atuam como imensos comparadores de instituições. Quando o consumidor consegue claramente visualizar quem é mais barato e quem é mais caro – inclusive consultando a bancos pequenos, financeiras e plataformas de crédito online – as diferenças entre as taxas de juros tendem a diminuir.

Afinal de contas, porque pagar caro se pagar barato pode ser ainda mais fácil? A mudança de comportamento da demanda forçará os bancos mais caros a diminuir suas taxas de juros, a fim de conquistar consumidores cada vez mais bem informados.

A direção está dada

Os exemplos acima só reforçam a ideia de que o mercado de crédito ainda tem muitas oportunidades para quem quer empreender. Onde há ineficiência, há oportunidade. O trabalho para desenvolver o setor ainda será imenso, mas pelo que tudo indica, o movimento empreendedor das fintechs está na direção certa.

Sobre o autor:
Lereno Soares é economista pela FGV-Rio e assessor de investimentos com certificação CPA-20 pela ANBIMA. É co-fundador da plataforma JurosBaixos (www.jurosbaixos.com.br), plataforma de orientação de crédito que compara empréstimos e financiamentos entre diversos bancos. Atua também no desenvolvimento de uma plataforma de educação financeira para jovens.

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