Vivemos em uma época de democratização do crédito no Brasil. Grande parte da sociedade, independente de sua classe social ou faixa de renda, utiliza diariamente esse recurso em tudo que faz, do pagamento do almoço na padaria ao financiamento de carros e apartamentos. Empréstimos bancários, financiamentos, cartões de crédito, empréstimo consignado, e todos os outros produtos dessa natureza são simplesmente facetas dessa democratização.

Conforme tanto a oferta quanto a demanda por crédito se expandem, conhecer melhor os clientes fica cada vez mais fundamental. Seja para poder oferecer um melhor atendimento, para entregar produtos mais alinhados com as necessidades, para reduzir riscos, para evitar fraudes, ou por qualquer outro motivo, nunca foi tão importante se ter a maior quantidade de informações possíveis sobre os clientes.

No entanto, a forma preferida das empresas de ter uma quantidade maior de informações é aumentar o tamanho da ficha cadastral. É comum hoje, tanto na internet quanto em lojas, pedir ao cliente que preencha um cadastro com várias páginas e dezenas (se não centenas) de campos. O problema é que, quanto maior o cadastro, maiores as chances da pessoa não preencher (e a empresa perder o cliente), ou, o que talvez seja ainda pior, da pessoa preencher tudo de qualquer forma. Isso leva a cadastros desatualizados e com problemas, que não são confiáveis, e que muitas vezes vão levar a decisões erradas pelas empresas.

É justamente nesses pontos que o Big Data pode ajudar. As informações que podem ser capturadas da web (ou inferidas através de modelos computacionais) permitem a automatização do preenchimento do cadastro, reduzindo a quantidade de campos que o cliente tem que preencher e assim levando a mais cadastros melhores. Em um ambiente aonde o cadastro já foi constituído, as técnicas de cruzamento e batimento de informações utilizadas para encontrar pessoas no conteúdo não estruturado da web permitem uma eficaz validação dos dados, e correção de problemas.

Indo além, o Big Data permite também a descoberta de novas informações sobre os clientes que muitas vezes as empresas nem pensam em colocar em suas fichas cadastrais. Será que essa pessoa tem alguma fonte de renda alternativa? Será que ela tem um negócio informal? Será que ela aluga o apartamento no AirBnB ou site similar? Será que ela tem algum interesse relevante para as análises e segmentações? Todas essas perguntas podem ser respondidas com dados abertos e públicos, e as respostas podem transformar completamente o relacionamento com elas.

Assim, quando falamos hoje de crédito, estamos necessariamente falando de dados, sejam eles dados primários (que são coletados diretamente dos clientes), ou secundários (que são extrapolados a partir do que o cliente forneceu). O Big Data permite as empresas reduzir a fricção na coleta dos dados, e aumentar a quantidade de dados secundários com que trabalham, expandindo o mercado potencial para todos.

Autor Convidado:
Richard Balbachan é Diretor Comercial da BigData Corp. (www.bigdatacorp.com.br), uma empresa especializada em projetos de Big Data e na automação de processos de informação.

 

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