Paper de equipe de brasileiros vence concurso de Blockchain no MIT

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A equipe ‘Project PharmOrchard’ do Massachusettes Institute of Tecnology (MIT) Experimental Learning, que tem dois integrantes brasileiros, venceu o concorrido concurso do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, em seleção coordenada pelo o ‘ONC’ (Oficina Nacional de Coordenação de Tecnologia), realizada no mês passado.

A equipe vencedora, que concorreu com outros 77 concorrentes,  desbancou papers inscritos por grandes empresas como IBM, Deloitte e Accenture, por exemplo.

“Ficamos muito felizes em saber que o nosso trabalho foi reconhecido por outros profissionais da área e também pelo governo americano. A notícia tem percorrido as principais redes da comunidade Blockchain, o que ajuda a fortalecer nossa visão de que esta tecnologia irá realmente revolucionar o desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos e sistemas operacionais na área de saúde.” – diz Luca Forni, jovem estudante brasileiro de Economia e Administração da Universidade de Edimburgo, Escócia.

O whitepaper, submetido ao ‘Blockchain Challenge’, afirma que bases de dados centralizadas não conseguem garantir a segurança e a integridade das informações e a disponibilidade de dados aos stakeholders. Um novo projeto em desenvolvimento no MIT, conhecido por OPAL Enigma, apresenta a solução, ao facilitar o compartilhamento e análise de dados privados pela rede peer-to-peer onde a informação é distribuída criptografada e registrada no Blockchain. A infraestrutura conta com ‘smart contracts’, computação distribuída e compartilhamento de segredos para permitir a realização de ensaios clínicos e pesquisas médicas.

A equipe explica ainda que junto com algoritmos de ‘machine-aided human inteligence’ (MAHI), a PharmOrchard poderá reduzir o tempo e os riscos associados à pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, pela metade do preço. “O OPAL Enigma é um Blockchain escalável, porém requer muita capacidade computacional. Ao programar MAHI no sistema, poderemos fazer ensaios clínicos que aprendam sozinhos, agilizando todo o processo. Vemos isso como um objetivo de longo prazo e seria realmente gratificante ver nossas estimativas validadas no futuro.” – diz Luca Forni.

A equipe que planejou a empresa é formada por outra brasileira: Anne Chang, cuja experiência com start ups foi aprimorada depois do Mestrado em Direito (LLM) na Universidade da Califórnia – Berkeley. Atualmente ela é sócia do HCO Law| eAdvisor, um escritório de advocacia voltado para empresas de tecnologia.

“A escolha pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos e também como um dos projetos premiados pelo voto popular dos mais de 950 alunos do curso de Fintech do MIT Experimental Learning foi um grande reconhecimento para a nossa equipe e demonstra também que há interesse no uso de Blockchain para atender a necessidades reais e imediatas de diversas áreas.” – diz Anne Chang.

Para a advogada premiada, Allison Shrier, uma de nossas colegas no curso, tem ideias geniais aplicáveis ao sistema de saúde norte-americano mas que atendem a necessidades globais e podem ser futuramente adaptadas. Parte de nossa proposta buscou utilizar o Blockchain para superar a burocracia legal que limita a troca de informações confidenciais. Essas informações estão sujeitas a diversas restrições legais específicas de diferentes jurisdições. Ao possibilitar a integração de diferentes sistemas e criar pontes entre agentes que atualmente estão limitados por questões burocráticas, geramos um fluxo de dados rápido, constante e seguro, que permite análises muito mais detalhadas e complexas. Uma das aplicações seria, por exemplo, em estudos comparativos de eficiência e dosagem de medicamentos, que é um campo pouco explorado devido ao seu alto custo.

O mais interessante no estudo é que as possibilidades são infinitas. Por exemplo, identificamos que é possível incluir especificidades de um paciente no sistema – tais como predisposições genéticas e doenças pré-existentes – para auxiliar os médicos a prescrever uma dose mais exata e com menos efeitos colaterais, com base nos dados obtidos em outros estudos disponíveis. Isso torna o tratamento mais eficiente, mais barato e tem enorme potencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, conclui Anne Chang

Luca Forni finaliza dizendo que “constatar que uma nova tecnologia como o Blockchain possa se converter em benefícios significativos nas vidas das pessoas é algo fantástico. Ao reduzir os custos e o tempo de desenvolvimento de novos medicamentos, poderemos diminuir o efeito das doenças e salvar vidas”.

Quer ler o paper? Acesse aqui

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