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IA

Instituto chinês de referência em IA para fintechs mira parcerias estratégicas no Brasil

Evento realizado pelo Ibrawork debateu maturidade, evolução, tendências e aspectos jurídicos no mercado de fintechs nos dois países

Ademir Morata

Resumo

O Instituto de Pesquisas em FinTech da Fudan University, um dos principais centros acadêmicos da China voltados ao desenvolvimento de tecnologias financeiras, iniciou movimentos para estabelecer parcerias com o ecossistema brasileiro de fintechs. A iniciativa foi apresentada durante evento realizado em São Paulo, no Ibrawork, hub de open Innovation do Ibrachina (Instituto Sociocultural Brasil China).

A proposta sinaliza um avanço na aproximação entre os dois mercados, especialmente em áreas como inteligência artificial aplicada a serviços financeiros, infraestrutura tecnológica e novos modelos de negócio.

Representando a universidade chinesa, o professor Guangnan Ye destacou que as possibilidades de cooperação são amplas e podem envolver desde parcerias entre empresas até intercâmbios acadêmicos e desenvolvimento conjunto de tecnologias.

Segundo ele, o objetivo é criar “pontes” que permitam a aplicação de soluções desenvolvidas na China no mercado brasileiro, ampliando o potencial de inovação local.

IA especializada para finanças ganha protagonismo**

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Um dos principais diferenciais apresentados pelo instituto é o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial treinados especificamente para o setor financeiro. Ao contrário de soluções generalistas, essas LLMs são alimentadas exclusivamente com dados do mercado financeiro, o que aumenta a precisão e a capacidade de explicação — fator crítico em ambientes regulados.

“Estamos criando agentes capazes de operar dentro dos padrões da indústria financeira, com foco em transparência e rastreabilidade das decisões”, explicou Ye, ao mencionar aplicações como prevenção à lavagem de dinheiro e análise de risco.

A abordagem reforça uma tendência global de especialização da IA por setor, especialmente em segmentos altamente regulados como o financeiro.

Brasil e China: complementaridade em inovação e regulação**

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Para Feng Bo, CEO do ViaBravo, a aproximação entre Brasil e China vai além da tecnologia e envolve também o intercâmbio de modelos regulatórios e estratégias de mercado.

“A China avançou rapidamente na adoção tecnológica, enquanto o Brasil construiu um dos ecossistemas financeiros mais dinâmicos do mundo. Colocar essas experiências em perspectiva é extremamente valioso”, afirmou.

Essa complementaridade também foi destacada por Carlos Augusto de Oliveira, diretor executivo da ABFintechs. Segundo ele, o desenvolvimento do setor no Brasil é resultado de uma agenda consistente liderada pelo Banco Central do Brasil, que estimulou a criação de modelos mais leves e inovadores. “O sucesso do Pix, por exemplo, só foi possível porque já existia um ecossistema robusto de fintechs capaz de escalar rapidamente a solução”, destacou.

Blockchain e stablecoins no radar**

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O avanço da integração do sistema financeiro com novas tecnologias também esteve na pauta. Oliveira apontou que o próximo passo da evolução do setor passa pela maior incorporação de blockchain e ativos digitais.

Nesse contexto, as stablecoins surgem como um dos principais vetores de transformação, com regulação em desenvolvimento para integrar exchanges ao sistema financeiro tradicional.

Casos práticos: biometria e pagamentos invisíveis**

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A colaboração sino-brasileira já começa a se materializar em iniciativas concretas. Um exemplo citado no evento foi o da Quick Digital, que está trazendo ao Brasil uma solução de pagamento por biometria da palma da mão desenvolvida pela Tencent.

Segundo Jeferson Procópio, CEO da empresa, um projeto piloto já foi implementado em um restaurante, permitindo que toda a jornada de pagamento seja realizada sem contato físico. “Os resultados têm sido bastante positivos e vemos grande potencial em ampliar esse tipo de parceria com empresas chinesas”, afirmou.

Segurança de dados como diferencial competitivo**

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A discussão também abordou desafios estruturais do setor, como privacidade e proteção de dados. Para João Grandino Rodas, presidente do CEDES e ex-reitor da Universidade de São Paulo, esse é um fator decisivo para a sustentabilidade das fintechs.

“A proteção de dados não é apenas um requisito regulatório, mas um diferencial competitivo. Empresas que garantem segurança constroem confiança e fortalecem sua reputação”, afirmou.

Estratégia chinesa mira co-desenvolvimento**

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Ao comparar os mercados, Ye ressaltou que a China enfrenta um cenário de alta oferta de talentos técnicos, o que impulsiona a busca por oportunidades internacionais.

A estratégia, segundo ele, não é de expansão unilateral, mas de co-desenvolvimento com mercados locais. “Queremos colaborar com fintechs brasileiras para criar novos padrões, estruturas mais eficientes e modelos mais integrados”, concluiu.

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Análise de Especialistas

A aproximação com o setor acadêmico chinês tem potencial de colaborar com o ecossistema brasileiro de fintechs não apenas por meio do aproveitamento de tecnologias e soluções já desenvolvidas no país asiático que possam se adaptar ao mercado nacional. Além deste aspecto, o relacionamento pode servir como modelo para a construção de projetos estruturados de desenvolvimento de inovação na área, tanto para universidades públicas e privadas nacionais, como também para instâncias governamentais com objetivo de estabelecer regulações e políticas públicas relacionadas ao tema.

Opinião do Editor

A abertura para parcerias no modelo de colaboração mútua pode permitir a troca de experiências em um nível necessário e adequado para promover o enriquecimento dos profissionais e das empresas nacionais sem perder a autonomia e a originalidade das fintechs locais.

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