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Seguros

Seguro cyber com inteligência de risco já pode ser contratado em 30 minutos

Uso de seguro por bancos para liberar capital cresce mais de dez vezes na primeira metade da década

ADEMIR MORATA

Resumo

O mais recente relatório “Opportunity in Flux”, lançado em março pela Howden, corretora global especializada em seguros de alta complexidade, mostrou que o uso de seguros em estruturas de gestão de capital por bancos cresceu mais de dez vezes entre 2020 e 2024. Este movimento das instituições financeiras em direção à proteção tende a ser acelerado com a evolução da Inteligência Artificial, que está viabilizando o surgimento de produtos como o anunciado no final de abril pela Akad Seguros e pela plataforma de governança de riscos tecnológicos, Verta. A iniciativa combina cobertura securitária com uma inteligência que mede, em tempo quase real, a maturidade em cibersegurança, e que tem como principal diferencial a redução do processo de contratação normalmente executado em semanas para apenas questão de minutos.

De acordo com o estudo da Howden, que analisa o mercado global de crédito e risco político, o volume de operações de transferência significativa de risco (SRT, na sigla em inglês) estruturadas com suporte de seguro passou de cerca de €500 milhões em 2020 para aproximadamente €6 bilhões em 2024, o equivalente a R$ 36 bilhões. Essas estruturas permitem que instituições financeiras transfiram parte do risco de crédito de seus portfólios para o mercado segurador, reduzindo a exigência de capital regulatório e ampliando a capacidade de concessão de crédito.

Os responsáveis pelo trabalho afirmam que o movimento ocorre em um contexto de mudanças nas exigências regulatórias de capital e crescente complexidade na gestão de riscos no sistema financeiro, em um ambiente de maior incerteza econômica e geopolítica. “O crescimento dessas operações mostra que o seguro passou a ter um papel mais ativo na gestão de capital dos bancos, especialmente em estruturas que exigem otimização de risco e eficiência no uso de recursos”, afirma Andoni Hernández, CEO da Howden Brasil, filial da corretora global.

Já no caso do lançamento da Akad com a Verta, a avaliação é de que ele ocorre em um momento de forte escalada dos crimes cibernéticos e crescente pressão sobre empresas brasileiras. O país lidera o volume de ataques na América Latina, segundo relatório recente da Netscout repercutido na imprensa especializada, consolidando-se como um dos principais alvos da região.

Desenvolvida a partir da primeira pesquisa brasileira sobre riscos digitais, a tecnologia da Verta permite que empresas avaliem seu nível de exposição, identifiquem melhorias para elevar a maturidade como reduzir o risco, bem como o impacto financeiro e entendam, de forma objetiva, seu posicionamento em relação ao mercado e ao próprio setor. A partir dessa análise, o sistema define a elegibilidade para o seguro e orienta melhorias necessárias, criando um modelo que conecta diagnóstico, tomada de decisão e proteção financeira em uma única jornada, totalmente digital.

Na prática, o que a parceria propõe é uma ruptura com o modelo tradicional de seguros, historicamente baseado em processos longos e pouco transparentes. Com a integração entre Akad e Verta, a expectativa é reduzir o tempo de contratação de até 30 dias para cerca de 30 minutos, por meio de uma experiência digital que automatiza desde a análise de risco até a oferta da apólice.

“Estamos evoluindo o papel do seguro. Não se trata apenas de indenizar, mas de ajudar as empresas a entenderem e gerenciarem seus riscos de forma contínua”, afirma Mariana Miranda da Akad. “Essa parceria permite trazer mais agilidade, clareza e inteligência para um tema que hoje é sensível para qualquer negócio.”

A plataforma introduz também um elemento ainda pouco explorado no mercado brasileiro: a tradução do risco técnico para a linguagem de negócio. Ao invés de depender exclusivamente de relatórios internacionais, muitas vezes distantes da realidade local, a solução utiliza indicadores construídos a partir de dados brasileiros, facilitando a tomada de decisão por executivos e conselhos.

Outro diferencial está na capacidade de acompanhamento contínuo. Como o risco cibernético é dinâmico, o modelo não se limita à contratação do seguro, mas estabelece uma relação de longo prazo, com monitoramento, atualização de indicadores e recomendação de planos de ação.

Caso a empresa não esteja apta à contratação, o sistema aponta os controles críticos necessários, o que funciona também como ferramenta de priorização de investimentos em segurança.

O Co-Founder & CRO da Verta, Nycholas Szucko, comenta que, na maioria das vezes, infelizmente, os desafios de cibersegurança são abordados em discussões excessivamente técnicas no formato de uma verdadeira “sopa de letrinhas”. Segundo ele, transformar esses desafios em indicadores de negócio, cenários de exposição, níveis de maturidade e impacto financeiro potencial é o que, de fato, conecta o tema à linguagem do negócio.

“É justamente nessa tradução que a Verta se posiciona como uma estratégia vencedora: construindo pontes entre dois mundos que historicamente operaram de forma desconectada. Essa desconexão gerava assimetria de informação e, consequentemente, decisões menos precisas, não por falta de capacidade, mas por falta de entendimento claro do risco em termos de negócio”, afirma.

A estratégia também amplia o alcance do seguro cyber no Brasil. Com distribuição digital e possibilidade de integração com corretoras e cadeias de fornecedores, o modelo tende a tornar esse tipo de proteção mais acessível, especialmente para pequenas e médias empresas, que tradicionalmente são as mais expostas e menos protegidas.

“Estamos diante de uma mudança estrutural na forma como as empresas encaram o risco digital. Nosso papel é acompanhar essa evolução, oferecendo não apenas proteção financeira, mas soluções que tragam mais clareza, agilidade e capacidade de resposta. Essa parceria posiciona a Akad na fronteira desse movimento”, conclui Mariana Miranda da Akad.

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Análise de Especialistas

Em um ambiente no qual as questões regulatórias e os ataques virtuais se constituem em riscos reais sempre ameaçadores é natural que os bancos e as instituições financeiras busquem maior proteção com estratégias que incluem os seguros em suas movimentações. Um crescimento de dez vezes no uso deste instrumento entre 2020 e 2024 revela o aumento exponencial das preocupações que, seja são grandes entre os grandes conglomerados financeiros, devem ser ainda maiores entre as fintechs considerando o menor poder de recuperação caso sofram algum tipo de problema quer seja de ordem regulatória ou fraudulenta.

Opinião do Editor

A possibilidade de contratar seguros cibernéticos com alta velocidade se conecta com a necessidade das fintechs assim como a possibilidade de comparar o nível de maturidade que cada instituição se encontra em relação ao tema. Ao ter a consciência sobre o nível em que se encontra em relação a seu próprio mercado, a direção das startups tem maior condição de analisar a urgência e a relevância de fazer planejamentos e destinar investimentos à evolução de suas condições.

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