A notificação do aplicativo do banco me avisa: entrou dinheiro na minha conta. Ótimo, vou separar uma parte para aplicar. Estou pensando no futuro e invisto em uma carteira diversificada, com títulos e ações. Faço uma transferência da conta no banco para a conta na corretora. E é tudo que eu preciso fazer.

Essa é a realidade de 3% dos norte-americanos que possuem conta bancária e optaram por um dos serviços de investimento automatizados que explodiram nos últimos anos nos Estados Unidos.

Apelidados de robo-advisors, eles resolvem pelo menos três problemas típicos do mercado de investimentos em um golpe só: a dificuldade de tomar decisões de investimento, a complicação operacional de investir por conta própria (já tentou montar e rebalancear uma carteira sozinho?) e os altos custos tradicionalmente cobrados pelos consultores de investimento que trabalham nos gigantes do setor financeiro.

Sempre com modelos self-service e ênfase em plataformas mobile, os serviços de investimento automatizado integram seus sistemas a corretoras, onde robôs realizam uma série de cálculos e fazem as transações de compra e venda de ativos financeiros em nome do investidor. Mas não confunda robo-advisors com os investimentos robotizados em bolsa de valores, que usam análise técnica e dezenas de transações por dia para tentar ganhar dinheiro. Não é disso que estamos falando.

Os robo-advisors automatizam uma coisa muito valiosa para o poupador preocupado com o futuro: a disciplina. A alocação das carteiras é definida a partir de modelos matemáticos amplamente testados, baseados nos avanços da Teoria Moderna do Portfólio. E o rebalanceamento é feito de forma sistemática, somente quando necessário, levando em conta os custos e impostos envolvidos.

O resultado é a democratização de uma estratégia de otimização premiada com o Nobel, e que antes estava acessível apenas a investidores milionários, capazes de contratar caros serviços de gestão personalizados.

Crescimento rápido

Principal expoente do segmento, o Wealthfront era em 2013 uma startup focada nos jovens e bem-remunerados profissionais de tecnologia do Vale do Silício. Oferecendo ao investidor uma experiência simples e uma carteira de gestão sofisticada, a empresa rompeu os limites do nicho e hoje seus sistemas administram 2,6 bilhões de dólares de seus clientes.

Outros serviços como Betterment e SigFig também estão entre os mais populares robo-advisors. O aplicativo Acorns foi além: investe de forma automática os centavos do arredondamento das suas compras diárias. Esses são os pioneiros em um mercado que se desenvolve em ritmo rápido nos Estados Unidos. Um estudo divulgado em junho de 2015 pela consultoria A.T. Kearney prevê que, em 2020, 2 trilhões de dólares – ou 5,6% de todo o dinheiro “investível” nos Estados Unidos – estarão aplicados em serviços de investimento automatizado.

E no Brasil? Enquanto startups como Nubank e Controly trabalham para oferecer uma nova solução no controle de gastos diários, o mercado de investimentos pessoais continua dominado pela burocracia e complexidade de bancos e corretoras. A Vérios está mudando esse cenário, e já está em fase final de testes de um robo-advisor que será lançado em breve, o primeiro serviço de investimento automatizado do Brasil. 

 

fsottoAutor Convidado:

Felipe Sotto-Maior é cofundador e CEO da Vérios Investimentos.

 

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